O problema da intimidade.

Nunca vou me esquecer de uma conversa que tive com um colega de faculdade, há alguns anos atrás. Passamos horas falando sobre um único tópico: o problema da intimidade. Intimidade de casal, saca? Intimidade entre peguetes, ficantes, namorados e derivados – que, muito embora tudo acabe indo pro mesmo saco, variações para o título é o que não falta.

No fim das contas, concluímos que intimidade só pode resultar em duas coisas: problema ou filhos. E como filho é sinônimo de problemas…pois bem.

Quem nunca teve vontade de sair pela porta pela qual acabou de entrar, ao dar de cara com o namorado sentado no sofá, de samba canção xadrez, sem camisa, com um pote de 2L de sorvete de flocos numa mão, uma colher de sopa na outra e os dois pés em cima do sofá bege, assistindo ao jogo do Estrela Azul versus Cabofriense na TV, num domingão de sol?

E que bom rapaz nunca teve que engasgar o palavrão ao ouvir da fofa um “Amôôr, posso pegar o ovo de codorna”? Poxa, ele tinha perguntado se ela também queria um cachorro quente – inteirinho só pra ela, olha como ele é super gentil! – e até insistiu pra que ela comesse. Ela recusou, fez a fina e não quis (sob a pena do jeans 38 não passar nem dos joelhos) e, então, quando o dele chega, quentinho, ela quer roubar logo a cereja do sundae (ou melhor, o ovo de codorna do cachorro). Só mesmo respirando fundo e contando até dez.

Tão triste quanto é ter que acompanhar, com direito a close cinematográfico, o bonito mastigar cada pedacinho do alimento mais popular do pós night carioca. Não bastasse ele estar meio bêbado, suado e fedendo a cigarro alheio depois da festa, ele precisava ainda estar com a fome de um exército inteiro e, ao mesmo tempo, com a preguiça de um coala – ao ponto de não conseguir nem esperar três minutos pro miojo ficar pronto quando chegar em casa. É…manter o bom humor numa situação fim de carreira dessas, só mesmo se for descontando no pobre ovo de codorna.

Em alguns momentos da minha existência, chego a me questionar se essa maldita fome de somaliano não é, nada mais, nada menos, do que uma forma sórdida de vingança. Afinal, ele teve que esperar a gata tomar banho (com direito a limpeza até de fundo de umbigo), secar e pentear o cabelo, se maquiar e sobreviver a crise existencial por não ter o que vestir  – isso tudo, claro, depois da meia hora de reclamação por conta dos 300 gr a mais que aquela balança (mentirosa) marcou.

Se for mesmo tudo uma questão de pagar na mesma moeda, o objetivo da ala azul petróleo (que também pode ser azul piscina, azul bebê, azul royal, como preferir) foi muito bem atingido. E com tantos requintes de sadismo como quando eles resolvem abrir a torneirinha do besteirol tipicamente machista ao se juntar com os amigos (ou quando a amiga(ex-peguete) vem e dá aquele abraço longo com beijo mais longo ainda bem na sua frente e ele, sonso, diz: “Ciúme da Fernandinha? Ela é que nem uma irmã pra mim!”).

Aliás, não consigo pensar em coisa muito pior do que amigo de namorado. Tudo bem que alguns são tentam ser gente boa, mas a grande maioria é de pedir pra fechar a conta e passar a régua.

Não é a toa que, quando o casal ainda está naquela fase Revista Caras  ou “estamos apenas nos conhecendo”, o grande barato é sair a dois. Cinema, jantar, barzinho e até noitada que seja, tudo a dois. Topar lidar com a parte podre do moço (ou da moça) só depois de terminado o período de experiência e com muito amor!

Agora, quase tudo isso faz parte de um mal necessário, do qual a gente sobrevive com muitas risadas e algum jogo de cintura (ou, só de ruindade, pedindo pra ele ir comprar o absorvente que acabou). O que nem o amor salva (e nem Jesus, chorando, salvará também) é a experiência do xixi. Escovar os dentes na frente até vai, mas xixi não, que, além de ferir a Constituição, detona tudo o que restava de romantismo.

Nesse caso, meu amor, é demissão certa – e com direito a justa causa!

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6 Responses to O problema da intimidade.

  1. Gabriel says:

    Tirar espinha e meleca do “conjuge” pode?

  2. Taí…tirar espinha do namorado é uma coisa que muita mulher A-DO-RA fazer. Eu mesma, quando era adolescente, amava – hoje em dia perdi o tesão nessas coisas…
    Quanto à meleca…melhor nem comentar, né? rs*

  3. Lili Pipoca says:

    Hoje aprendi uma nova pra encaixar no repertório: “Fase Revista Caras”.
    E tudo resplandece na mais perfeita harmonia e felicidade quando se admira um lindo vaso de porcelana por fora. Sem nem atentar que lá dentro pode haver sabe Deus o quê!
    Já dizia a vovó: “Macaco velho não enfia a mão em cumbuca”….
    Mas, se não provarmos e botarmos a cara, como poderemos saber se encontraremos ovos de codorna (o que não é tão mal..hahaha!), ou um saboroso bolo de brigadeiro? Ou os dois?!?
    A escolha, muitas vezes, cabe a nós mesmos!
    E poucas coisas são de sensações tão relaxantes como retirar cravos e espinhas do namorado…rs
    Beijocas! =]

  4. Larissa says:

    onde existe amor de verdade, existe cumplicidade e um não fica bravo ou enojado com futilidades… ama o outro e a intimidade que têm!!! pelo menos eu e meu namorados somos assim…

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